Novo protocolo revoluciona avaliação de cafés especiais no Brasil

O CVA avalia não apenas o sabor, mas os atributos físicos, afetivos, descritivos e extrínsecos, ajudando produtores e compradores a se conectarem em torno do valor total do café
José Elias Alves Adão, degustador e coordenador do laboratório de degustação da Caparaó Junior. Foto: arquivo pessoal

No primeiro semestre de 2025, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Specialty Coffee Association (SCA) adotaram o sistema Coffee Value Assessment (CVA) como protocolo oficial de avaliação dos cafés especiais do Brasil. O Memorando de Entendimento (MoU, em inglês) estabelece um novo padrão nacional para avaliação da qualidade.

O CVA foi desenvolvido pela SCA para avaliar não apenas o sabor, mas também atributos físicos, afetivos, descritivos e extrínsecos, ajudando produtores e compradores a se conectarem em torno do valor total do café.

O degustador internacional de cafés especiais e coordenador do laboratório de degustação da Caparaó Júnior, José Elias Alves Adão, explica que o novo protocolo, que substituiu o Protocolo da Specialty Coffee Association (SCA) usado desde 2004, tem a missão de inovar na forma de avaliar os cafés e vai além de apenas pontuar e descrever uma amostra.

“O principal objetivo é oferecer uma visão mais completa do valor do café, reconhecendo não apenas a qualidade sensorial, mas também os valores associados, como origem, sustentabilidade, certificações e a história do produtor, fatores que agora serão ainda mais valorizados”, esclarece o especialista.

Até então, com o sistema tradicional de 100 pontos, eram avaliados apenas atributos técnicos, como acidez, doçura, corpo, finalização e uniformidade, para se chegar à nota final. Para ser considerado especial, o café precisava atingir 80 pontos. Com o novo protocolo, passam a ser feitas avaliações física, extrínseca, descritiva, afetiva e combinada.

“O CVA é mais amplo, tem uma avaliação mais completa. A avaliação descritiva terá um perfil sensorial mais detalhado. A avaliação afetiva é uma impressão de qualidade daquele café. Já na extrínseca, no meu ponto de vista extremamente importante, são avaliadas a origem, as práticas sustentáveis e as certificações daquela propriedade. Por fim, a avaliação física verifica os defeitos encontrados na amostra”, explica José Elias.

O novo protocolo só será adotado em definitivo após outubro. Enquanto isso, os profissionais estão se adaptando à novidade por meio de capacitações que acontecem dentro e fora do Espírito Santo.

A supervisora comercial e degustadora da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), Graziele Machado Carrari, fez o curso e está habilitada para aplicar o protocolo.

“As notas em relação à qualidade da bebida para o produtor continuam as mesmas. O que mudou é que o degustador consegue avaliar em uma linguagem mais universal, categorizando as notas sensoriais para o comprador e também para o produtor”, aponta Graziele.

A degustadora explica ainda que, “apesar de ser recente a mudança, a cooperativa já está habilitada e o novo protocolo está sendo usado para as degustações, tanto para as exportações quanto para os produtores”.

Avaliação
Rodrigo Fernandes, responsável pela Unidade de Referência de Cafés Especiais de Alto Rio Novo, acredita que o CVA vai melhorar a avaliação dos cafés, especialmente para o conilon.

Fonte: Conexão Safra

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