
El Niño exige estratégias diferentes para a agropecuária nas cinco regiões do País
Os riscos provocados pelo fenômeno variam segundo a localização, a cultura, o sistema produtivo e o ciclo agrícola
Empenhados em tornar as atividades agrícolas e florestais sustentáveis, reduzindo o uso de recursos naturais, os custos na produção de mudas e a perda no plantio, o Viveiro Nova Floresta iniciou a produção de mudas nativas utilizando o paper pot, um recipiente feito com papel degradável.
O produto substitui o uso de tubetes e de sacolas plásticas, e não há necessidade da retirada da embalagem que se decompõe entre 4 e 6 meses, minimiza a perda de mudas e reduz o estresse durante a transição do viveiro para o local do plantio.
Nosso slogan é: “Mudamos o mundo uma muda por vez”. Junte-se a nós nessa jornadas de preservação ambiental e descubra como podemos atendê-lo de forma consciente e eficaz.
Zanthoxylum rhoifolium Lam.
Lecythis marcgraaviana Mier
Cecropia glaziovii Snethl.
Hymenaea aurea Y.T.Lee & Langenh
Copaifera duckei Dwyer
Swietenia macrophylla King
Equipes da Embrapa nas cinco regiões brasileiras detalharam os riscos do El Niño 2026/2027 e definiram recomendações adaptadas a cada cenário climático e produtivo. Entre elas estão o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a escolha de cultivares adaptadas, o escalonamento da semeadura e medidas de manejo e conservação da água e do solo.
Enquanto produtores da Região Sul precisam se preparar para chuvas intensas e excesso de água, em grande parte do Centro-Oeste, Norte, Nordeste e Sudeste o fenômeno deve impor o desafio oposto: escassez de água, irregularidade das chuvas e temperaturas elevadas. As diferenças não se limitam às fronteiras regionais: os riscos também mudam conforme a localização, a cultura, o sistema produtivo e o período do ciclo agrícola.
Os contrastes aparecem em todo o mapa. No Centro-Oeste, Mato Grosso e Goiás apresentam maior risco de seca, enquanto o sul de Mato Grosso do Sul tende a receber mais chuva. No Nordeste, a preocupação é com a menor oferta de água; no Norte, a redução dos níveis dos rios pode afetar navegação, transporte e abastecimento. O Sudeste reúne áreas mais secas e mais chuvosas até dentro de um mesmo estado, enquanto, no Sul, o excesso de precipitação amplia os riscos de encharcamento, erosão e doenças nas lavouras.
O trabalho aprofunda as 163 medidas elaboradas no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o El Niño, estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a participação de cerca de 50 profissionais da Embrapa e especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Além de reduzir os impactos do El Niño 2026/2027, parte das recomendações pode ser incorporada ao planejamento das propriedades para aumentar a preparação diante de outros eventos e condições climáticas recorrentes.
Confira as principais recomendações para cada região:
O El Niño 2026/2027 deve produzir cenários distintos no Centro-Oeste. Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal apresentam maior risco de seca, enquanto Mato Grosso do Sul, principalmente o sul do estado, tende a registrar maior disponibilidade de chuva.
Na maior parte da região, a previsão indica atraso e irregularidade das chuvas na primavera, seguidos de precipitações abaixo da média, veranicos e ondas de calor no verão. O período mais crítico para a seca está projetado entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. O atraso das primeiras chuvas pode comprometer a condição adequada para a semeadura da safra de verão, enquanto os veranicos podem atingir as lavouras em fases de maior demanda hídrica.
Em Mato Grosso e Goiás, os riscos incluem atraso do plantio, déficit hídrico e impactos sobre a cultura em sucessão à soja, como o milho e o algodão safrinha. No Distrito Federal, as orientações gerais devem ser combinadas com aquelas destinadas às culturas produzidas na região. Mato Grosso do Sul apresenta situação diferente: o sul do estado tende a ter chuvas acima da média na primavera, mas isso não elimina a possibilidade de veranicos durante a safra.
● Soja e milho: seguir as janelas de plantio indicadas pelo Zarc, utilizar cultivares com melhor desempenho em condições de seca e calor, escalonar o plantio e manter a cobertura do solo. Em caso de grande atraso na soja, reavaliar a substituição do milho segunda safra por sorgo ou milheto, pois são cultivos de custo e risco menores.
● Algodão: evitar a semeadura tardia na safra ou safrinha, priorizar cultivares mais precoces à medida que avança a janela de plantio e manter práticas que favoreçam a infiltração e armazenamento de água e a conservação do solo.
● Arroz e feijão: seguir o Zarc, utilizar cultivares mais adaptadas e reforçar as práticas de conservação do solo. No arroz, temperaturas acima de 35 °C podem provocar esterilidade das espiguetas. No feijão, o atraso do plantio pode reduzir a produtividade.
● Cana-de-açúcar: em Mato Grosso e Goiás, concentrar a atenção na seca e no atraso das chuvas. No centro-sul de Mato Grosso do Sul, o excesso de chuva pode dificultar as operações e afetar a qualidade da matéria-prima.
● Pastagens e pecuária: ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, manter reservas de forragem e garantir água e sombra. No Pantanal, a recomendação é acompanhar conjuntamente as chuvas, os níveis dos rios e as condições hidrológicas, além da prevenção contra incêndios.
● Silvicultura: reforçar a prevenção contra incêndios, acompanhar focos de calor e condições meteorológicas, utilizar materiais adaptados ao calor e à seca e conservar resíduos sobre o solo.
A principal orientação é não esperar as condições adversas para agir. Além do Zarc, as medidas incluem aguardar condições adequadas de umidade antes da semeadura, manter o solo coberto, recorrer à irrigação quando houver segurança hídrica e acompanhar continuamente as previsões climáticas para aumentar a eficiência dos insumos utilizados.
Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (MS) e líder da plataforma regional do Centro-Oeste, Rodrigo Garcia, mesmo com previsão de adversidades climáticas, o setor produtivo trabalha com a perspectiva de produtividades elevadas, pois faz forte investimento em tecnologias. “Esse investimento, somado à adoção de práticas agrícolas mais conservacionistas, aumenta a resiliência do sistema de produção, superando possíveis desafios climáticos que são cada vez mais recorrentes”, diz.
No Semiárido, o El Niño 2026/2027 pode elevar as temperaturas e alterar a distribuição das chuvas, aumentando a demanda por água, reduzindo a umidade do solo e afetando principalmente as culturas dependentes de chuva e as pastagens. Os efeitos não devem ocorrer de forma homogênea, já que o El Niño não determina sozinho a ocorrência de chuva ou seca na região e as condições do Oceano Atlântico Tropical podem amenizar ou agravar seus impactos.
No último quadrimestre de 2026, as projeções indicam maior probabilidade de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, com aumento dos riscos de déficit hídrico, ondas de calor e queimadas. Como o ano agrícola no Semiárido se concentra principalmente no primeiro semestre, os impactos mais significativos sobre a produção são esperados no início de 2027, durante um período decisivo da estação chuvosa.
A região chega ao atual El Niño em situação hídrica diferente da observada no episódio de forte intensidade de 2015/2016. Em agosto daquele ano, os reservatórios do Nordeste armazenavam cerca de 23% de sua capacidade. Em 2026, esse volume está próximo de 51%.
A condição inicial é mais favorável, mas chuvas irregulares ou insuficientes podem comprometer a recarga, principalmente de pequenos reservatórios.
● Água: antecipar a formação de reservas e ampliar a captação, o armazenamento e o uso eficiente da água. Entre as alternativas estão cisternas, barreiros-trincheira, barragens subterrâneas, captação de água da chuva e sistemas de reuso, como o Bioágua Familiar.
● Culturas agrícolas: seguir as orientações e janelas de plantio do Zarc, considerar espécies e cultivares adaptadas às condições locais e escalonar atividades. Em áreas de maior risco para o milho, o sorgo pode ser uma alternativa.
● Solo: manter cobertura vegetal ou morta, reduzir o revolvimento, utilizar matéria orgânica e adotar práticas que aumentem a infiltração e a retenção de água e reduzam as perdas por evaporação e escoamento superficial.
● Pecuária: planejar antecipadamente a alimentação dos rebanhos, formar e conservar reservas de forragem, manter bancos de palma-forrageira e ajustar a taxa de lotação à capacidade de suporte da propriedade.
● Planejamento: manter reservas estratégicas de água, sementes, alimentos para os animais e insumos e acompanhar sistematicamente as condições meteorológicas, a umidade do solo e a disponibilidade hídrica.
Antecipar decisões é a principal estratégia para reduzir os riscos no Semiárido. Ajustar a produção à disponibilidade de recursos e à capacidade de suporte da propriedade, conservar o solo, usar a água de forma eficiente, formar reservas, diversificar a produção e acompanhar o clima pode reduzir a vulnerabilidade dos sistemas agropecuários.
O El Niño 2026/2027 deve provocar redução e maior irregularidade das chuvas na Região Norte, com atraso na regularização da estação chuvosa, períodos mais longos de déficit hídrico, temperaturas elevadas e redução dos níveis dos rios. Os efeitos já estão em curso e podem se intensificar entre o fim de 2026 e o início de 2027, com impactos sobre a produção agropecuária, a navegação, o transporte e o abastecimento.
Os impactos devem variar dentro da região. Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima tendem a concentrar os déficits hídricos mais severos e os efeitos sobre os rios. Roraima apresenta a situação mais antecipada: o déficit de chuva coincidiu com o período de enchimento dos grãos, e há estimativa de perdas de 30% a 50% na safra de 2026. No Pará, Amapá e nas áreas de transição do Maranhão e de Mato Grosso, a preocupação maior está no atraso das chuvas, no prolongamento da estação seca, na implantação das lavouras e no risco de incêndios.
A redução dos níveis dos rios acrescenta um componente particular ao cenário do Norte. No Amazonas, por exemplo, a vazante pode afetar a navegação, o transporte de insumos e alimentos, o abastecimento de água, a agricultura de várzea e a pesca e a aquicultura.
Nas áreas costeiras e estuarinas do Pará e do Amapá, há ainda risco de intrusão salina nos canais de captação de água doce.
● Mandioca, milho e feijão-caupi: seguir as indicações do Zarc, utilizar cultivares adaptadas e tolerantes ao déficit hídrico e manter o solo coberto. No milho e no feijão-caupi, evitar que o florescimento coincida com períodos de veranico e ajustar a densidade de plantas à disponibilidade de água.
● Arroz de várzea e terras baixas: adequar o plantio e o transplante ao regime de vazante, manter a lâmina d’água mínima necessária, evitar drenagem excessiva e antecipar o preparo do solo durante a recessão das águas.
● Açaí e cacau: no açaí de terra firme, priorizar irrigação localizada e reduzir a perda de água; nas áreas de várzea, acompanhar a retração das águas. No cacau, manter o sombreamento e a cobertura do solo e evitar podas severas durante o pico da estiagem.
● Banana, pimenta-do-reino e outras frutíferas: utilizar irrigação localizada nas fases críticas, manter a cobertura do solo e adotar medidas para reduzir os efeitos do calor e da perda de água. Na pimenta-do-reino, a recomendação inclui o uso de tutores vivos e a prevenção do estresse radicular.
● Pastagens e pecuária: ajustar a lotação dos animais à capacidade de suporte das pastagens, formar reservas de forragem, reforçar a suplementação e garantir água limpa e sombra. A redução da umidade pode antecipar a perda de qualidade das pastagens e aumentar o estresse térmico dos animais.
● Água e irrigação: proteger nascentes e igarapés, ampliar ou recuperar estruturas de armazenamento, priorizar a irrigação localizada e manter cobertura morta no solo para reduzir a evaporação.
A disponibilidade de água deve orientar boa parte das decisões na região. Além de seguir o Zarc, as medidas incluem: escolher cultivares adaptadas e precoces, conservar a umidade do solo, armazenar água, adequar a irrigação e proteger lavouras e animais do calor.
O El Niño 2026/2027, que pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão, deve produzir efeitos distintos no Sudeste. Entre os meses de outubro e dezembro de 2026, a previsão indica chuvas acima da média em São Paulo, no Rio de Janeiro (sobretudo no centro-sul do estado) e no centro-sul de Minas Gerais.
Já o norte de Minas Gerais, o norte do Espírito Santo e o norte fluminense tendem a enfrentar condições mais secas. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região, aumentando a evaporação e a perda de umidade do solo.
Em agosto, 84% do Sudeste estavam em seca fraca ou moderada e o quadro pode piorar se a estação chuvosa trouxer menos chuva do que o esperado. São Paulo apresenta situação diferente, com risco mais generalizado de temperaturas elevadas e chuvas escassas ou irregulares.
Os principais riscos para a agropecuária são o déficit hídrico, as ondas de calor e o estresse térmico. Nos locais onde a chuva ficar acima da média, devem ser favorecidos a semeadura e o estabelecimento da soja e do milho de primeira safra, a formação dos frutos do café e a brotação da cana-de-açúcar.
Na cafeicultura, a atenção aumenta no fim de 2026 e início de 2027, quando as lavouras estarão em fases como floração e enchimento dos grãos. Em São Paulo, soja, milho, feijão, amendoim, café e laranja estão entre as culturas mais expostas à combinação de calor e irregularidade das chuvas. Já o milho segunda safra de 2027 tende a ficar fora do período mais crítico do fenômeno.
No Espírito Santo, o maior risco se concentra no café conilon das regiões Noroeste e Litoral Norte, onde a previsão indica intensificação do déficit hídrico. Há ainda risco de incêndios florestais e pressão sobre o abastecimento de água. Em Minas Gerais e São Paulo, o calor também pode provocar estresse térmico na pecuária leiteira. Para o Rio de Janeiro, onde há menos dados específicos, a recomendação é intensificar o monitoramento das condições locais.
● Café: monitorar principalmente as fases de floração e enchimento dos grãos, conservar a umidade do solo e adotar práticas de manejo que aumentem a capacidade das lavouras de enfrentar o déficit hídrico e as altas temperaturas.
● Soja e milho: seguir as janelas de plantio indicadas pelo Zarc e utilizar tecnologias e práticas de manejo voltadas à tolerância ao estresse hídrico. No milho, o Sistema Antecipe Soja-Milho pode antecipar em até 20 dias a implantação da cultura e reduzir o risco climático no final do verão.
● Feijão: observar o calendário de plantio e reforçar o manejo da água, especialmente em São Paulo, onde a cultura é sensível a veranicos em qualquer fase do ciclo.
● Cana-de-açúcar: reforçar a atenção nas áreas do Norte e Noroeste Fluminense e do Cerrado mineiro, com adoção de tecnologias para o manejo da irrigação e maior tolerância ao estresse hídrico.
● Pecuária leiteira: garantir água e sombra aos animais, ajustar a lotação e ampliar a disponibilidade de forragem. O calor pode provocar estresse térmico principalmente nas bacias leiteiras de Minas Gerais e São Paulo.
● Solo e sistemas integrados: manter o solo coberto, recuperar áreas degradadas, conservar água e adotar sistemas de integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta como medidas para aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.
No Sudeste, o manejo deve considerar principalmente os riscos associados à falta de água e às altas temperaturas. As medidas incluem seguir o Zarc, acompanhar as previsões climáticas, conservar água no solo, melhorar a infraestrutura hídrica, utilizar tecnologias adaptadas ao estresse hídrico e térmico e reforçar as reservas de forragem para a pecuária.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Agrobiologia (RJ) e coordenador da plataforma regional do Sudeste, Ederson Jesus, “Diante da heterogeneidade climática da região no próximo El Niño, a recomendação central é reforçar a base biológica dos sistemas produtivos: solo coberto, áreas degradadas recuperadas e bioinsumos que ajudam a planta a enfrentar déficit hídrico e calor. É um investimento que paga dividendos em qualquer cenário climático”, enfatiza.
Na Região Sul, o El Niño 2026/2027 deve provocar chuvas mais intensas e concentradas, principalmente entre os meses de setembro e dezembro. O excesso de precipitação pode causar encharcamento dos solos, erosão e perda de nutrientes, além de dificultar operações como semeadura, aplicação de insumos e colheita. A maior nebulosidade também pode reduzir a radiação solar e prejudicar o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.
A combinação de umidade elevada e períodos prolongados de molhamento das plantas favorece a ocorrência de doenças. Tempestades e ventos fortes também podem provocar danos a lavouras, pomares, florestas e à infraestrutura rural. Os impactos variam conforme a cultura, a região, a fase do ciclo e o manejo adotado.
Entre as culturas mais expostas estão os cereais de inverno, arroz irrigado, soja, milho, frutíferas de clima temperado e hortaliças. Nas pastagens, o excesso de chuva pode reduzir a qualidade da forragem, compactar o solo e favorecer sua perda. Na silvicultura, a maior preocupação são os danos provocados por tempestades e ventos fortes.
● Trigo e outros cereais de inverno: utilizar cultivares mais resistentes a doenças e ao acamamento, escalonar a semeadura, reforçar a cobertura do solo e o monitoramento de doenças e planejar antecipadamente a colheita, a secagem e o armazenamento dos grãos.
● Arroz irrigado: ajustar a época de semeadura para favorecer maior disponibilidade de radiação na fase reprodutiva, utilizar cultivares resistentes ao acamamento, monitorar a brusone e garantir drenagem rápida das áreas. A maior disponibilidade de água da chuva pode reduzir a necessidade de bombeamento.
● Soja e milho: manter o solo protegido, adequar a densidade de semeadura, reforçar o monitoramento de doenças e garantir drenagem superficial eficiente. No milho, o parcelamento da adubação nitrogenada pode reduzir perdas de nutrientes por lixiviação.
● Fruticultura e horticultura: manter a cobertura vegetal do solo, revisar os sistemas de drenagem, ajustar a adubação e intensificar o monitoramento de pragas e doenças. Para hortaliças, o cultivo protegido pode ser uma alternativa.
● Pastagens: reforçar a conservação e a cobertura do solo e adotar medidas para reduzir os efeitos do encharcamento, da compactação e da erosão.
● Silvicultura: acompanhar as condições meteorológicas e adotar medidas preventivas diante do risco de tempestades e ventos fortes, que podem causar danos às árvores e à infraestrutura.
No Sul, prevenção e manejo dos riscos devem caminhar juntos. Além do Zarc e do acompanhamento das previsões, as recomendações incluem escalonar a semeadura, manter o solo protegido, melhorar a drenagem e planejar colheita, secagem, armazenamento e logística. O planejamento também deve ultrapassar os limites da propriedade e considerar a microbacia hidrográfica, com medidas para controlar o escoamento da água e ampliar a capacidade de enfrentar eventos extremos.
Para o pesquisador da Embrapa Clima Temperado (RS) e líder da plataforma regional Sul, Ernestino Guarino, a palavra-chave para a região é solo coberto. Práticas de conservação que garantem a infiltração da água, como terraços e curvas de nível, também devem ser adotadas tanto em períodos de excesso quanto de falta de água, pois aumentam a segurança para o produtor.
O pesquisador também recomenda que o planejamento das atividades agrícolas considere informações divulgadas por fontes oficiais, como a Embrapa, o Serviço Geológico Brasileiro (SGB) e o Inmet. “Pragas e doenças também são favorecidas pelo aumento da umidade e exigem maior atenção no manejo das lavouras nesse período”, diz.
A Embrapa reúne em uma página os principais riscos associados ao El Niño, os períodos críticos e as recomendações para cada região do País. O conteúdo é voltado a agricultores e profissionais da extensão rural
A página apresenta medidas de mitigação e gestão de riscos, orientações técnicas por cultura e criação e estratégias aplicáveis a diferentes sistemas produtivos. Entre os temas abordados estão calendário de semeadura, Zarc, manejo e cobertura do solo, alimentação dos rebanhos e sanidade vegetal e animal.
O espaço também disponibiliza notas técnicas elaboradas por pesquisadores da Embrapa, com informações detalhadas para cada região.
O site El Niño no Brasil: manejo e mitigação de riscos pode ser acessado aqui.
Fonte: Assessoria de Comunicação Embrapa
A Semana Internacional do Café (SIC), maior encontro de café do Brasil e um dos principais eventos do setor no mundo, chega à sua 14ª edição em 2026 celebrando a longa história do grão no país. E o evento abre oficialmente, em novembro, as comemorações dos 300 anos dessa trajetória no país, que se completam em 2027.
De 11 a 13 de novembro, na Expominas, em Belo Horizonte, o evento recebe mais de 200 expositores e reúne produtores, pesquisadores, empresas, compradores e instituições com um olhar para os temas que estão definindo o futuro do setor: entre eles, mudanças climáticas, competitividade, ciência, tecnologia, inteligência artificial, novas regulações e acesso a mercados.
Com o tema “Às vésperas dos 300 anos do café no Brasil: construindo a próxima agenda global”, serão três dias de diálogos e debates sobre produção e sustentabilidade, inovação, genética, biotecnologia, digitalização, novas oportunidades de geração de renda para o produtor e as transformações que já impactam o mercado mundial. Um ciclo de comemoração que se encerra apenas no ano seguinte, na SIC 2027.
“O Brasil construiu uma posição de referência mundial no café, e a SIC 2026 tem justamente esse papel de reunir toda a cadeia, colocar os principais temas na mesa e ajudar a construir os próximos passos. O tema deste ano nasce daí. Olhar para a nossa história, entender os desafios do presente e discutir qual será a próxima agenda global do café”, afirma Caio Alonso Fontes, sócio da Espresso&CO, uma das organizadoras do evento.
A dimensão internacional da SIC 2026 estará presente desde a abertura da programação, que conta com a diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Vanusia Nogueira. Na palestra magna, Nogueira vai abordar as transformações da cafeicultura mundial, o papel do Brasil e a cooperação entre países produtores, indústria, mercado e organismos internacionais.
Além de temas como competitividade global, mudanças climáticas e inovação, um dos focos da SIC 2026 são as novas possibilidades de geração de renda para o produtor, a partir da bioeconomia, energia, aproveitamento de resíduos e subprodutos, carbono, biodiversidade, turismo e processamento. A expectativa é receber cerca de 25 mil visitantes de mais de 40 países, movimentando R$ 170 milhões em negócios. Veja a programação no site.
Com safra recorde estimada em 33,4 milhões de sacas no estado em 2026, Minas Gerais, maior produtor brasileiro do grão, chega à edição deste ano em cenário de expectativa positiva para a produção de arábica. Segundo Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar, um dos realizadores da SIC 2026, o resultado demonstra a resiliência dos produtores diante dos desafios dos últimos anos, assim como a importância da tecnificação do setor.
“A SIC 2026 é uma oportunidade para projetarmos o futuro da cafeicultura nacional e valorizarmos os produtores que estão por trás dessa atividade. Somos líderes mundiais na produção de um dos grãos mais apreciados do planeta, e a feira amplia o acesso a conhecimento e oportunidades de negócios, contribuindo para que nossos cafeicultores avancem e conquistem novos mercados”, afirma Salvo.
O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento em exercício, João Ricardo Albanez, destaca a importância do evento como vitrine de Minas Gerais para o mundo, contribuindo para que o estado continue ocupando lugar de destaque no cenário mundial do café.
“A cafeicultura é uma das grandes forças econômicas e sociais de Minas Gerais. Está presente em centenas de municípios, reúne produtores de diferentes perfis e escalas, gera emprego e renda e movimenta uma cadeia produtiva que leva a qualidade, a diversidade e a identidade dos cafés mineiros para o Brasil e para o mundo”, declara Albanez.
O Summit Mulheres será uma das principais novidades da edição 2026, abordando liderança feminina, sucessão, gestão e empreendedorismo em pleno Ano Internacional da Mulher Agricultora. A programação inclui ainda eventos tradicionais da SIC, como o DNA Café, o Fórum da Cafeicultura Sustentável, o Campeonato Brasileiro de Barista e premiações como Coffee of the Year, Florada Premiada, Espresso Design e Torrefação do Ano.
Aproximando a cadeia produtiva de compradores nacionais e internacionais nas Rodadas de Negócios, o evento coloca em contato produtores, cooperativas, indústria, exportadores, torrefadores, compradores, pesquisadores e instituições. Enquanto isso, as Salas de Cupping dão sabor e aroma aos três dias do evento, com cafés vindos de origens como Espírito Santo, Cerrado Mineiro e Campo das Vertentes, entre várias outras.
“A Semana Internacional do Café se consolida a cada ano como uma vitrine de tendências da cafeicultura mundial. Em 2026, o evento resgata os 300 anos do café no Brasil, destacando seu protagonismo no passado e no presente, mas, sobretudo, sua responsabilidade para um futuro mais colaborativo e regenerativo do setor”, destaca Marcelo de Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas.
A Semana Internacional do Café 2026 será realizada pela Espresso&CO, Sistema Faemg Senar, Sebrae Minas e Governo de Minas Gerais.
A SIC será novamente palco de algumas das principais premiações do universo do grão. Entre elas, o Coffee of the Year apresenta alguns dos melhores cafés do Brasil e seleciona os destaques do ano. Para participar, produtores brasileiros podem inscrever seus cafés até o dia 5 de outubro nas categorias arábica ou canéfora, por R$ 200. As amostras (3 kg), juntamente com a ficha, devem ser enviadas para o Centro de Excelência em Cafeicultura do Senar. Confira aqui o regulamento da edição e o link de inscrição.
Em sua 8ª edição, o prêmio Espresso Design segue destacando a importância do design na construção e na promoção das marcas de café. As marcas podem se inscrever de forma gratuita e enviar seus pacotes para a comissão do concurso até 9 de outubro — veja o regulamento. Nos dois primeiros dias da SIC, o público poderá votar em uma das 20 embalagens mais bem avaliadas, que ficarão expostas no evento. Preencha aqui o formulário de inscrição.
As duas premiações acontecem no último dia do evento (13), no Grande Auditório.
O credenciamento para a SIC 2026 já está aberto. Nos dias 11 e 12 de novembro, o evento será voltado aos profissionais do setor, enquanto o dia 13 também receberá consumidores finais. Produtores com CNPJ ou código rural e cooperados Sicoob têm entrada gratuita. O credenciamento e mais informações sobre o evento estão disponíveis no site da SIC 2026.
Semana Internacional do Café
Quando: 11 a 13 de novembro, das 10h às 19h
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.200 — Gameleira — Belo Horizonte, MG)
Mais informações e credenciamento: https://semanainternacionaldocafe.com.br/
Fonte: Portal CaféPoint
Com previsão de alcançar 100% da capacidade produtiva instalada a partir de 2028, a Samarco trabalha para ampliar a produção mantendo a sustentabilidade integrada às decisões que orientam suas operações em Minas Gerais e no Espírito Santo. Aos 49 anos, a empresa conduz programas ambientais e sociais que envolvem a restauração de florestas nativas na Bacia do Rio Doce, educação ambiental e o monitoramento da fauna e de recursos hídricos.
Um dos eixos centrais dessa agenda está no cumprimento dos compromissos assumidos no Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal em 2024. A empresa é responsável por ações de restauração florestal em 50 mil hectares e pela recuperação de 5 mil nascentes. Até agosto de 2026, mais de 47 mil hectares e 4,6 mil nascentes já haviam sido cercados para o processo de restauração. O trabalho envolve a coleta de sementes de espécies nativas da Mata Atlântica, produção de mudas, cercamento de áreas, plantio e monitoramento técnico.
As intervenções ocorrem em cerca de 3 mil propriedades rurais particulares em Minas Gerais e no Espírito Santo, mediante autorização e parceria direta com os produtores. O foco é a recomposição de Áreas de Preservação Permanente (APPs), como margens de rios, nascentes e encostas. Além de recuperar a vegetação e aumentar a disponibilidade hídrica na bacia hidrográfica, o modelo movimenta a economia local ao gerar demandas por serviços florestais, manejo de campo, viveiros e coleta de sementes, integrando conservação e renda regional.
Outro componente dessa estratégia é o acompanhamento técnico da biodiversidade. A iniciativa é mantida por meio de programas permanentes de monitoramento de fauna terrestre, aquática e marinha, além de indicadores relacionados à qualidade da água, sedimentos, ruídos, vibrações e condições atmosféricas. As informações coletadas servem de base para a gestão ambiental e para a avaliação dos resultados das ações de recuperação.
Na Bacia do Rio Doce, esse trabalho inclui o Programa de Monitoramento Quali-Quantitativo Sistemático de Água e Sedimentos (PMQQS), que acompanha continuamente a qualidade da água e dos sedimentos da bacia. Os dados são públicos e contribuem para análises técnicas e para o acompanhamento das condições ambientais da região.
Segundo João Batista Soares, gerente-geral de meio ambiente da Samarco, a recuperação ambiental exige planejamento de longo prazo e articulação com diferentes atores.
“A recuperação de ecossistemas é um processo contínuo, que depende de acompanhamento técnico, participação social e construção de parcerias. Os resultados vão além da recuperação das áreas e contribuem para fortalecer a relação das comunidades com os recursos naturais do território.”
Paralelamente ao plano de retomada operacional, a Samarco mantém o compromisso de cumprir integralmente as obrigações previstas no Novo Acordo do Rio Doce. A atuação reúne a continuidade de ações de restauração florestal e investimentos direcionados ao desenvolvimento socioambiental dos municípios atendidos em Minas Gerais e no Espírito Santo.
Educação ambiental e uso sustentável do território
A frente ambiental atua conectada a iniciativas de educação e engajamento comunitário. Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizadas 314 ações em 29 municípios das áreas de operação da Samarco em Minas Gerais e no Espírito Santo. As iniciativas abordaram temas como uso consciente da água, reciclagem, prevenção de incêndios florestais e economia circular, alcançando estudantes, educadores, moradores e empregados.
Durante as ações relacionadas ao Dia Mundial da Água, mais de duas mil pessoas participaram de atividades realizadas em escolas, instituições de ensino e espaços comunitários. A programação buscou ampliar o debate sobre preservação dos recursos hídricos e estimular práticas voltadas ao uso responsável da água.
A relação entre meio ambiente e desenvolvimento dos territórios também aparece em projetos que estimulam novos usos dos espaços naturais. Em Camargos, distrito de Mariana (MG), o Projeto Tapé apoiou a implantação de trilhas destinadas ao esporte, lazer e turismo de natureza. A iniciativa contribuiu para valorizar os atrativos ambientais da região e ampliar oportunidades associadas à atividade turística e à circulação de visitantes.

Fonte: Tribuna Online
No dia 26 de novembro acontece a 15º edição do Simpósio do Produtor de Canéfora, no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes) – Campus de São Mateus, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), idealizadora do evento. Dr. Roberto Rodrigues, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é um dos palestrantes confirmados.
O simpósio é exclusivo ao café conilon/canéfora, trazendo novidades de pesquisa realizadas no Espírito Santo, Bahia, Rondônia e outros lugares do Brasil e até mesmo do mundo. Assuntos como irrigação, drone, doenças do cafeeiro, conservação do solo serão abordados na programação.
“A proposta sempre foi levar ao produtor informações de alto nível para contribuir com a produção do café canéfora. Além disso, focaremos em cultivares, inéditas, registradas no final do ano passado e outras em fase de registro, com foco no Espírito Santo, na região baixa e de alta altitude”, informou professor da Ufes, Dr. Fábio Luiz Partelli.
Paralelo ao evento, acontece o 4º Simpósio de Pesquisas e Tecnologias em Coffea canephora, nos dias 25 e 26 de novembro.
Programação
7h30 – 8h10 | Inscrição (levar 2kg de alimento – Projeto Araçá)
8h1 – 8h30 | Café com prosa (pôsteres científicos e parceiros)
8h30 – 9h | Abertura
9h30 – 10h30 | Perspectivas do Agronegócio Brasileiro – Dr. Roberto Rodrigues (FGV)
10h30 – 11h20 | Contribuições da UFES e Novas Cultivares – Dr. Fábio Luiz Partelli (UFES)
11h20 – 11h40 | Homenagens a cafeicultores
11h40 – 12h10 | Discussão/debate: CREA-ES e Setor Produtivo
12h10 – 13h30 | Almoço (pôsteres científicos e parceiros)
13h30 – 14h | Irrigação por gotejamento no Conilon – Dr. Robson Bonomo (UFES)
14h – 14h30 | Avanços do uso de Drones na Cafeicultura – Dr. Edney Leandro da Vitória (UFES)
14h30 – 15h | Manejo integrado do solo e da água – Dr. Ivoney Gontijo (UFES)
15h – 15h30 | Manejo de Doenças no cafeeiro – Dr. Willian Bucker Moraes (UFES)
15h30 – 16h | Principais pesquisas do NEPECC
16h – 16h20 | Discussão/debate: MUTUA-ES e INCAPER
16h20 – 16h30 | Considerações finais e encerramento
Fonte: Portal Campo Vivo
O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), por meio da Coordenação de Meteorologia, divulgou o prognóstico climático para a primavera de 2026, que começa nesta terça-feira (22). Para o Espírito Santo, a previsão indica temperaturas acima da média e chuvas irregulares ao longo do trimestre de outubro a dezembro, com possibilidade de déficit de precipitação de até aproximadamente 50 milímetros em grande parte do Estado.
A tendência de irregularidade das chuvas merece atenção especialmente nas regiões Norte, Noroeste e em áreas do interior capixaba. O cenário pode ser marcado por intervalos secos prolongados, intercalados por episódios de chuva forte, o que significa que mesmo locais com acumulados próximos da média podem enfrentar períodos de baixa disponibilidade de água.
O prognóstico também aponta elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante a primavera. No entanto, o Incaper ressalta que o fenômeno não determina sozinho o comportamento das chuvas no Espírito Santo, que também depende da atuação de frentes frias, da umidade proveniente da Amazônia, da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e de outros sistemas atmosféricos.
Para a agropecuária capixaba, a combinação entre temperaturas elevadas e chuvas irregulares pode aumentar a demanda por irrigação, dificultar o estabelecimento de lavouras e a recuperação das pastagens e elevar o risco de falhas de germinação. O Incaper recomenda o acompanhamento frequente das condições de chuva, temperatura, umidade do solo e disponibilidade de água nas propriedades, além do planejamento do plantio e da irrigação considerando a possibilidade de veranicos.
O prognóstico completo da Coordenação de Meteorologia do Incaper segue anexo.
Fonte: Assessoria de Imprensa Incaper
Segundo relatório estatístico da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações do produto somaram 7,7 mil toneladas (equivalentes a 333,7 mil sacas de 60 kg) em agosto, alta de 24,9% sobre o mesmo mês de 2025. Com a performance, os embarques acumulados em 2026 chegaram a 65,3 mil toneladas (2,83 mi de sacas), volume 12,8% superior às 57,9 mil toneladas (2,51 mi de sacas) registradas entre janeiro e agosto do ano passado.

O diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima, destaca que o crescimento é consistente, uma vez que, com exceção a janeiro, todos os meses de 2026 igualaram ou superaram os volumes de 2025, com altas que chegaram a 38,9% em junho, por exemplo.
Segundo ele, dois movimentos recentes nas relações comerciais do setor, um com a União Europeia (UE), principal destino dos cafés solúveis brasileiros como bloco, e outro com os Estados Unidos, maior país importador do produto nacional, reforçam a expectativa de um segundo semestre ainda mais forte.
“As exportações ao bloco europeu cresceram 44,2% no acumulado do ano, para 13,1 mil toneladas, e a entrada em vigor do Acordo Provisório de Comércio entre o Mercosul e a UE, em 1º de maio, abre espaço para ampliarmos ainda mais essa presença. Já os embarques aos EUA seguem 6,1% abaixo de 2025, mas, em agosto, primeiro mês completo após a retirada do tarifaço, subiram 86,8% na comparação anual, um sinal de retomada que esperamos ver mantido até o fim do ano”, projeta.

MERCADO INTERNO
O desempenho também é positivo no mercado interno. Nos oito primeiros meses de 2026, o consumo de café solúvel no Brasil somou 19,7 mil toneladas, incremento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço é observado em duas categorias: spray dried, que cresceu 11,7%, e freeze dried, que possui maior valor agregado e evoluiu 13,3%.

Aguinaldo Lima acredita que a combinação entre investimentos constantes e lançamentos de novidades ao mercado por parte das indústrias brasileiras de café solúvel, a vigência do acordo Mercosul-UE e a retirada do tarifaço dos EUA pode levar o setor a um resultado histórico em 2026.
“O Brasil tem forte possibilidade de bater recorde tanto em volume exportado quanto no consumo interno de café solúvel”, estima.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Em contraste com o bom momento das exportações e do consumo interno, a Reforma Tributária acende um sinal de alerta para o setor.
Instituída pela Emenda Constitucional nº 132/2023, a reforma promove uma ampla modernização do sistema tributário brasileiro, mas traz mudanças relevantes para a indústria de café solúvel.
Historicamente, o setor conta com um crédito presumido de PIS/Cofins sobre a aquisição do café verde, mecanismo criado para estimular a industrialização e preservar a competitividade das exportações.
“Esse crédito, equivalente a 7,4% do valor da matéria-prima, sempre contribuiu diretamente para a redução dos custos de produção, mas, com a implementação das novas regras, o benefício foi reduzido para 6,66% em 2026 e será integralmente extinto a partir de 1º de janeiro de 2027”, informa o diretor executivo da Abics.
Lima explica que, embora o café tenha sido incluído na Cesta Básica Nacional, com alíquota zero dos novos tributos (CBS e IBS), essa medida não produz o mesmo efeito financeiro para a indústria, uma vez que a desoneração não substitui o crédito presumido utilizado até então para reduzir o custo da matéria-prima.
“Como consequência, a extinção do benefício representará um aumento na estrutura de custos da indústria brasileira de café solúvel, com impactos sobre toda a cadeia produtiva”, comenta.
Diante desse cenário, a Abics mantém diálogo permanente com o governo federal e o Congresso Nacional em busca de alternativas que preservem a competitividade do setor, incluindo mecanismos de transição ou compensação. “Até o momento, contudo, não há sinalização de reversão da medida, o que deverá resultar na incorporação, a partir de 2027, de um custo antes compensado pelo crédito tributário no produto final”, conclui.
Fonte: Portal Abics
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